Porque, sinceramente, desacredito a
possibilidade de um dia você se tornar apenas mais um entre os milhões de
transeuntes no meu campo de visão.
Talvez você também tenha me notado, e como de
praxe, obedecendo rigorosamente nossa habitual mania de responder ao contrário
as ações um do outro, fingiu que não notou. Assim como eu, 25 minutos depois,
afinal, sempre fui a com mais dificuldade de processar as estratégias racionais
do jogo da conquista.
E você sempre foi tão bom a ponto de me
ensinar – da maneira mais difícil – algumas delas.
É melhor assim, nos vermos a distância,
segura distância, em uma encarada fugaz no meio da multidão, sem precisar
fingir as afinidades que nos tornaram tão próximos, e que o tempo tratou de
apagar, de nos modificar e diferenciar. Só pra deixa aquele gostinho de
saudade.
Mas é saudoso como as cenas de um filme
assistido há muito tempo, do qual não me lembro o nome, embora goste de
relembrar, pois marcou uma época, pois fez uma história, pois me tirou de um
caminho e me encaminhou para o que me tornei.
Não que seja grande coisa.
De resto, basta você aí, e eu aqui, cada qual
no seu canto, muito bem, obrigada, separados prudentemente pela distância, por
passantes e por cada vez menos frequentes lapsos de nostalgia.
Ufa, ainda bem.
Atenciosamente,
Louise