Baseado no best-steller de Elizabeth Wurtzel e protagonizado por uma de minhas atrizes favoritas - Christina Ricci – “Geração Prozac” superou minhas expectativas, ao esmiuçar detalhadamente a mente de uma pessoa contaminada pelo considerado mal do século, de origens confusas e consequências fatais para um indivíduo por ele afetado: a Depressão.
É impossível começar essa resenha sem mencionar a ditadura da felicidade na qual vejo minha geração mergulhada. As imposições cotidianas, decorrentes da excludente e criteriosa sociedade atual, nos obrigam a fugir desesperadamente não só da tristeza e da melancolia, como de qualquer outro sentimento profundo o suficiente para nos afastar de nossos objetivos. Usufruímos de todos os recursos terapêuticos ou medicinais para manter inabaláveis nossa produtividade e bom humor.
Não há como negar que, especificamente, a partir dos anos 80 – época em que se passa a trama – tornou-se exaustivo ser humano. Uma das maiores frustrações do homem moderno é justamente não poder sustentar initerruptamente esse equilíbrio e bem estar emocional, nem apresentar a eficiência dos robôs, pelos quais impotentemente se vê sendo substituído.
Lizzie tem, aparentemente, tudo do que precisa para ser feliz. Uma mãe dedicada (até demais), recursos financeiros e a capacidade singular de escrever, dom que lhe rende uma bolsa em jornalismo e a leva ao Santo-Graal do American Dream: Harvard. A jovem almeja tornar-se escritora, e é consciente de que não precisa necessariamente ir para faculdade para realizar esse sonho, abraçando a vida acadêmica mais para satisfazer as ambiciosas expectativas que a mãe tem para seu futuro.
A faculdade não só proporciona a Lizzie experiências restritas por sua exigente educação – sair com rapazes, ir a festas, ter a companhia de uma grande amiga – como apresenta para ela o sedutor mundo dos narcóticos e seus efeitos em sua produção literária. Afetada por um barato de esctasy, a garota escreve um artigo premiado sobre uma banda de rock em ascensão, sendo este o responsável por trazer a ela a oportunidade de sua vida: um contrato com a Rolling Stone.
Contudo, se por um lado Lizzie é abastada por esse privilegiado talento, por outro, sofre de um psicológico frágil, marcado por um profundo vazio emocional, o qual se supõe ser originado da ausência paterna e uma existência sobrecarregada pela missão de corrigir os erros da mãe. Gradativamente e depois rapidamente – como a própria personagem no filme descreve – Elizabeth, impulsionada pela súbita aparição do pai e pela pressão do trabalho, acaba engolida por uma forte crise de depressão.
É um filme de fotografia e enredo simples, sem grandes altos e baixos, podendo não apresentar o brilhantismo de megaproduções hollywoodianas. Porém, essas faltas são mais que compensadas com a forte presença da personagem de Ricce e a marcante atuação de Jessica Lange, que interpreta a mãe da protagonista, tão instável e problemática quanto ela.
Geração Prozac pode não comover a ponto de arrancar lágrimas, e creio que esta nem foi a intenção da equipe que o produziu. Entretanto, nenhuma outra estória me mostrou de forma tão concisa o processo de “infecção” e “recuperação” de uma pessoa depressiva, de como até as mentes mais geniais não estão invictas de serem perturbadas e de como fatos considerados triviais para uns, podem custar a felicidade de outros.
Terminei o filme valorizando ainda mais aquela sensação de serenidade mental, que pode não se equiparar à felicidade ideal, mas é o que me mantem em equilíbrio para lutar por meus objetivos e preservar as coisas que valorizo e amo.