Os dias
passaram rápidos e cansativos, e esta é a simples, porém verdadeira,
justificativa para o meu sumiço. Na maior parte da semana saio da faculdade,
faço um almoço rápido e com um currículo em mãos, enfrento uma maratona de
entrevistas.
Zapeando
pelas linhas do metrô, me equilibrando (ou tentando) com um livro em mãos,
enfrentando a Estação Pinheiros na hora do rush para voltar para casa, receber
mais um “vamos encaminhar seu currículo para o Rh”, sucessivas e invariáveis “dinâmicas”.
Desgastante
mesmo é perceber o quão despreparada me sinto diante dessas batalhas cotidianas.
Contudo,
sempre vi no ato de “meter a cara no mundo” o melhor exercício para a
independência. É natural de minha essência, feliz e, às vezes, infelizmente, a
rejeição pelo “deixar acontecer”. A ele,
só me entrego após enxergar a ineficiência de esforços empregados. Aí sim, sento,
descanso os pés e espero a oportunidade chegar. Nunca de braços cruzados. Sempre
alerta para um ínfimo indício de que ela está por cair dos céus ou de qualquer
outro portal metafísico, minhas mãos ansiosas sempre a postos para agarrá-la.
Serelepes,
os pensamentos mais instigantes escolhem os momentos mais inoportunos para dar
o ar de sua graça, e eu, impossibilitada de absorvê-los, impotentemente os
deixo sumir, como estrelas cadentes, riscando num sinal luminoso a superfície
estrelada da memória.
E eu
trocaria meu reino por ideias, ou melhor, por um pouco de tempo e habilidade
suficiente para amadurecê-las, lapidá-las. Pois se esses oito meses abriram
meus olhos para fatos marcantes, a necessidade de domesticar minha criatividade,
canalizá-la e alimentá-la para que nunca chegue ao seu fim, foi um deles.


