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segunda-feira, 3 de junho de 2013

D'uma xícara de café - Parte II

Ps: Não sei quanto tempo essa crise de romantismo fofura vai durar, mas prometo não prolongar demais esse conto a ponto de deixá-lo ainda mais enfadonho.

A princípio, Beto não achou motivos para manter mais do que quinze segundos os olhos em Maria Lúcia. Por mais que seu olhar fosse do livro manchado para moça umas cinco vezes, tudo que sua mente conseguia assimilar era o estrago que aquelas gotinhas haviam causado. Ele respirou fundo, contou até dez – umas vinte vezes – levantou o rosto para desastrada e, finalmente, a viu. Verdadeiramente.

Maria Lúcia abriu a boca três vezes antes de realmente falar. Primeiramente, ela não encontrava palavras suficientemente dignas para compor seu pedido de desculpas. Quando as encontrou, descobriu que estavam atravancadas no meio de sua garganta, interditadas pelo nó do nervosismo.

_Moço, me desculpa... Eu vou pagar. O estrago, eu juro. Olha, o senhor nem precisa pagar o café, de verdade, vou pedir para descontarem do meu salário. Olha, me desculpa, de verdade, sou nova cafeteria, ainda não aprendi a me virar direito... Me desculpa...

Suas bochechas estavam mais coradas do que o habitual, ou melhor, todo seu rosto começou a gradativamente se avermelhar. A franja bagunçada, o coque por desfazer e a touca pendendo para o lado esquerdo da cabeça, quase caindo, lhe atribuíam um aspecto tão cômico... Beto não resistiu e começou a rir da moça.

Rir da situação. Rir do livro de quinhentas páginas no qual ele desembolsou duzentos reais. Rir pra não chorar.

_Moço, eu sinto muito de verdade. Olha, eu pago pelo livro...

Ela enfiou a mão no bolso do avental e de lá, em uma atitude desesperada, retirou não só toda a gorjeta do dia, como todas as bugigangas cabíveis no local. Celular, chiclete, bilhete único, um batom vermelho...

Um batom vermelho! A antiga embalagem prateada com arabescos grafados provocou um súbito silêncio em Beto.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

D'uma xícara de café - Parte I

PS: Porque eu preciso de um lugar para extravasar o meu romantismo invernal. Ah, esses ares frios!

Maria Lúcia, desde que se mudou para capital, não fez nenhum vínculo ou amizade que passasse do superficial comprimento, acompanhado de conversa sobre o clima, de fila da padaria ou de elevador. Típica interiorana, a moça era do tipo que adorava esticar uma prosa – principalmente quando esta era acompanhada de café fresquinho e bolo de fubá – mas sentia tremores só de pensar na possibilidade de abordar um desconhecido interessante com um assunto trivial. Contudo, fazia dois meses, e a presença da solidão aumentava à medida que o frescor dos novos ares diminuía.

Estudava de manhã, e a tarde ia do trabalho para casa e da casa para o trabalho. De domingo a domingo. Trazia para o apartamento, além de pãezinhos e outras guloseimas da loja, o aroma marcante da bebida impregnado no uniforme. Nos dias de lavar roupa, deixava a lavanderia do prédio cheirando a chocolate, caramelo ou canela. Era fácil descobrir os horários em que Maria Lúcia chegava e saía: bastava um olfato apurado o suficiente para notar o cheiro de café no elevador.

E foi pelo café que ele a conheceu.

O líquido fumegante, saído dos copos plásticos, subia para o teto em espirais de fumaça, envolvendo, em uma atmosfera fantasmagórica e etérea, o fluxo frenético de clientes. Com as palmas das mãos vermelhas devido ao carregar ininterrupto de bebidas escaldantes, Maria Lúcia concentrava-se na tarefa de equilibrar, mesmo vacilante, um círculo de canecas de cappuccinos em uma bandeja de metal, quando ele voltou do banheiro e sentou-se novamente na mesa. Não foi pela garçonete notado, mas provocou, em sua saída do toalhete, o estridente ranger das dobradiças enferrujadas, que tanto a irritava.

Com o indicador, ela envolveu a alça de uma das canecas, tendo o máximo de cuidado para não deixar o creme da superfície, coberto de gotas de chocolate, transbordar durante o percurso até a mesa. Mas no meio do trajeto, um pouco da espuma escapou da borda, escorreu pela xícara até o pires, deslizou a partir dele em linha reta e acabou por gotejar justamente nas páginas do livro em que ele estava.

Crucias para o entendimento do capítulo.

terça-feira, 20 de março de 2012

Amor Outono/Inverno

Faz algum tempo, que fui indicada ao meme 11 perguntas pela Andréia, e peço a ela perdão por adiá-lo para próxima postagem. Novamente. No entanto, esse poema me veio ontem na van, de forma tão espontânea e prazerosa como a muito tempo não escrevia, criando a necessidade de postá-lo o mais rápido possível. Antes que o encantamento esfrie.

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Amor Outono/Inverno

Quando o sol cede ao solstício
Suas últimas semanas de verão
Criando então, com o sereno da madrugada,
Neblina e uma teia de gotinhas
Que amanhece pontilhada
Sobre minha roseira

Estou à beira, da janela,
De corpo e alma, bem-vinda
Aquele amor de inverno
Que com blusa de moletom
Ou suéter de abraço terno
Vem me aquecer

Abraça-me em madrugadas de encantamento
Infinitas, pra um curto tempo
Fazendo-me esquecer de tudo
Livrando-me de todos meus tormentos

Pra desaparecer, com a primeira brisa de primavera
Que querendo esquentar, faz descaso,
Do meu frágil amor outono-inverno
Faz-me esquecer

Acho Gere e Winona uma doçura.