“Estou sonhando.”
sábado, 13 de dezembro de 2014
A sopa
“Estou sonhando.”
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Mulher de Camafeu
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Ele aproximou a vela de uma das ires, que dilatadas pela luz, deixaram ainda mais cristalino o tom caramelo dos olhos de Diana. Marcus iluminou o outro olho, antes de abaixar e soprar a chama, e enquanto a dona dos olhos piscava freneticamente, ajeitou uma mecha relutante de seu cabelo, prendendo-a atrás de sua delicada orelha.
A jovem sorriu, cabisbaixa. Um sorriso sutil, assim como a beleza de suas feições. Diana era toda miúda, de corpo, de rosto, lábios, nariz, orelha, gestos, palavras...Seus olhos redondos eram as estrelas de sua face, o que lhe trazia luz. Mas há muito tempo não brilhavam como outrora. Estavam cada dia mais dispersos, aéreos, perdidos no nada, ou em algo da qual a dona era a única expectadora.
Psiquiatra, Marcus assistira muitos casos sobre aquela espécie de Melancolia. Sabia que tratava-se de uma doença sem origem explicável, esperta e venenosa, que consumia um indivíduo por sua raiz: a alma. Temia que a primeira ventania que escapasse pela fresa da janela levasse a alma de Diana, como era capaz de fazer com uma trêmula chama de uma das velas que iluminavam o quarto.
Sentindo a fragilidade da pele acobreada da mulher, o médico acariciava aquele rosto pequeno, em formato de coração, correndo o dorso da mão por seu contorno. Recolhendo a mão do esposo com as suas, Diana a aproximou de seus lábios, beijando-a carinhosamente.
Marcus encarou a esposa. Esquadrinhou cada canto daquele belo rosto, magicamente delineado pela luz tremeluzente dos candelabros do quarto.
Os olhos grandes e dourados, profundos; a tez morena, o nariz fino e levemente arrebitado; as bochechas que estavam mais salientes do que costumavam ser. Em anos de casamento, nunca vira a esposa tão bela como sob aquela penumbra. Suas feições, mesmo cansadas pela doença, assemelhavam-se as de uma criatura surreal, etérea… “Uma mulher de camafeu!”, pensou.
Eternamente aprisionada por uma moldura invisível.
Empurrando delicadamente seus ombros para a cama, puxando o cobertor e ajeitando o travesseiro, o médico a acomodou no leito, antes de beijar-lhe os lábios, depois a testa, desejando mentalmente a ela uma noite tranquila, sem pesadelos ou insônia.
_ Obrigada. - sussurrou Diana antes de fechar os olhos.
“Teria aquele encontro de olhares revelado seus pensamentos?” - se questionou o médico, observando o sereno repouso da esposa, antes de trancar o quarto. Ao lado da porta, uma última vela acessa, que com um sopro, se apagou.
Assim como Diana.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Cenouras e Cigarros
segunda-feira, 3 de junho de 2013
D'uma xícara de café - Parte II

Maria Lúcia abriu a boca três vezes antes de realmente falar. Primeiramente, ela não encontrava palavras suficientemente dignas para compor seu pedido de desculpas. Quando as encontrou, descobriu que estavam atravancadas no meio de sua garganta, interditadas pelo nó do nervosismo.
_Moço, me desculpa... Eu vou pagar. O estrago, eu juro. Olha, o senhor nem precisa pagar o café, de verdade, vou pedir para descontarem do meu salário. Olha, me desculpa, de verdade, sou nova cafeteria, ainda não aprendi a me virar direito... Me desculpa...
Suas bochechas estavam mais coradas do que o habitual, ou melhor, todo seu rosto começou a gradativamente se avermelhar. A franja bagunçada, o coque por desfazer e a touca pendendo para o lado esquerdo da cabeça, quase caindo, lhe atribuíam um aspecto tão cômico... Beto não resistiu e começou a rir da moça.
Rir da situação. Rir do livro de quinhentas páginas no qual ele desembolsou duzentos reais. Rir pra não chorar.
_Moço, eu sinto muito de verdade. Olha, eu pago pelo livro...
Ela enfiou a mão no bolso do avental e de lá, em uma atitude desesperada, retirou não só toda a gorjeta do dia, como todas as bugigangas cabíveis no local. Celular, chiclete, bilhete único, um batom vermelho...
Um batom vermelho! A antiga embalagem prateada com arabescos grafados provocou um súbito silêncio em Beto.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Palhetas, palavras e uma rosa
terça-feira, 2 de abril de 2013
"Marina" Parte I - por Guilherme Delvalle
